segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Atos Impuros

a JMJarre

Meus atos impuros são coro de minhas vozes inexistentes;
o pouco que de mim gritam
Soa alto e claro a todo camponês.

Minhas mãos dedilham meus pés, e meus pés caminham no solo
breve;
Meus últimos fios de cabelo, um sopro do mundo leva para longe,
longe demais de mim.

domingo, 29 de novembro de 2009

Atos Impuros

a Pasolini

Meus atos impuros são muitos, em muitos se relatam
e muito de mim falam.
Empurram-me tão longe de mim que me perco

Minhas mãos possessivamente minhas distendem os ares,
esfacelam pequenos grãos de trigo
E afagam cabelos, ventres, dorsos de granito.

Meu corpo que profano, quão pecador que és!
gritas mais alto do que posso ouvir,
E sussurra baixo demais para que possa me excitar.

Meus atos tolos, impuros; esmigalham-se nas prensas do tempo
sem que deixem vestígios de mim.