quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

SO SO

Caminhava com calma e serenidade pelos corredores amplos e iluminados. Sentia-se bem: era o seu habitat. Deslizava rapidamente por entre as pessoas, deixando um suave rastro inodoro de jasmim. Até o dia em que resolveu descer as escadas.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Normal

Um rapaz como muitos outros, mas talvez nem tanto. Esse formato plasticamente vigoroso do seu tórax, seus lábios opulentamente à mostra, cabelos dourados, não sei não. Há algo de estranhamente especial no jeito que anda, em como preenche as fichas de pedido, na maneira carinhosa com que olha para as estantes cheias, tomando os livros com um carinho que cheira a algo que já é fóssil no túmulo dos sortilégios dos homens.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

ser

não há quem mereça ao adormecer a doçura deste afago,
e acionistas majoritários não terão partilha
nos bens que envolvem teus desígnios.
por mais que me convenças de tais absurdos,
ainda sorrio quando vens até mim com esses olhos de castor montanhês,
e me pedes que aceites teus desejos de supetão.
és algo que prefiro não definir, essa penumbra sem focos de direção,
que sabe quando e como realçar os traços de sombra
e luz,

por sob as velas do castiçal, escorre a cera, enquanto me deixo envolver
por tuas promessas napoleônicas.

a torre eifel, eu a quero para minhas cabeceiras, como cabide para sungas,
coloque-as nos meus dois lados de paixão;
do louvre, só quero teu autorretrato, a que contorno negro
de manchas esparsas de cores não nítidas, belas.

recostas teu peito no meu, e deixe que eu navegue no teu manto etéreo,
até que eu me torne mais uma de tuas alucinações.

daí, saberei que, enfim, sou algo além de um por do sol numa nuvem distante.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

poema bostão

das fezes, os coliforme te perseguem, sedentos e sangrios;
te ocultam espadas e brincadeiras sem as tangências de outrora;
estes, sim, são ex-im-plícitos em cada um dos seus atos rescendentes a uma boa ........
não conseguem ocultar dos singulares seus odores reconhecivelmente plurais;
preenchem seus vãos vácuos com vazios ainda maiores,
e as neuroses dedicam-se a eles em tempo afegão;
sabem viver, esses mestres dos esgotos dessas mentes disformes e sem vida;
são, na sua essência maior, o nada, e disso não o suspeitam.

nada expressam, além de um olhar de angústia e uma cor esverdeada de vocês-sabem-o-quê.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Peito nu

A mão enrugada abre a porta da sala 1806. Dos lábios, um gritinho rouco, obscuro. Os olhos vêem no tórax arquejante e no abdômen saliente muitas, muitas palavras aglutinadas como se fossem cristais rubros. Dois ou três espermatozóides passeiam sem pressa pelo carpete macio, saindo porta afora, assim, como quem não quer nada. O zíper se fecha. Os lábios sentenciam: “muito estranho, muito estranho.”



No teclado, o brilho da Lua refletia-se em vão.

sábado, 26 de dezembro de 2009

LOVERCRAFTLOVER

Deu-se então o inusitado. A esfera corria solta e livre por seus testículos, fazendo-o gemer de espanto e gozo. De súbito, a fita a segue perspicaz, e principiam a, literalmente, indelevel/orgasmicamente escrever naquele corpo nu. A princípio letras esparsas. Adensando-se, seguiram-se palavras sem nexo. Depois, frases, páginas inteiras. Verdadeiros manuscritos.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Pressure

Paralisado perante o sussurro sextavado, nem notou que os olhos procuravam os dele, numa carícia muda e insinuante. Estava estático, extático pelo espetáculo que se deparava diante de si. Puxa! sequer atinou com o sentido daquelas teclas azuladas que se mexiam, que o envolviam, sugando seus mamilos, lambendo os lóbulos num rastro de fita negra.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Subitto

Sentou-se à mesa, deparando-se com os monstros de seus fantasmas mais recentes. O teclado letrado acenava-lhe doce, sedutor, sensualmente atávico de ser dedilhado. Não mais pôde resistir. Pressionou a tecla fálica que se esgueirava por entre seus dedos gordurosos e o suave ronronar fez-se ouvir no silêncio trôpego daquele pacato escritório. Até então, pelo menos.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Uma aula de fotogenia

só restam negativos; positivos ascendem com os ares quentes
dessas atmosferas.

abana-se o leque nipônico, e enrugam-se os olhos em seus extremos

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Mito

saturado o ar de cargas pesadas e de umidades absolutamente dispensáveis
liga-se o ar condicionado e aspiram-se ventos manufaturados;

na aérea mania caquética de mercúrio, suas asas aladas.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Entranhas

No meio de tuas entranhas, sentiram um forte sabor de ti;
não sei se por estarem tão perto de teus seres,
talvez por ninguém ter penetrado tão fundo no teu fundo;

Em teus cérebros descobriram mandíbulas afiadas e algumas salivas hidrófobas,
Seguidas de sementes sem germinações e desenhos, projetos de ti e de outros alguéns
Que não sei;

Sentaram-se em suas vísceras, e cachimbos exalaram sua presença afora;
Esperando alguma manifestação de tuas soturnas catacumbas;
Mas, afora acordes esparsos e certas formas de ironia mordaz,
Nada se ouviu além de um uivo sombrio.

No meio de tuas entranhas, se apavoraram sem o saber,
e saíram de fininho pela saída
sem saída de ti.

Tomaram cervejas nos bares, e seu sumo virou estória de cordel.

sábado, 19 de dezembro de 2009

relatos verídicos da bíblia da província

Quem seguiu teus passos na moita escura
e pelos degraus da catedral
central
viu quando fugias pelas sacristias?
Um mistério sem solução,
Vulgar sacristão.

deixa que a virgem te abandone nessa fuga de ti;
ela te deixará sobre macias almofadas de cetim, o tecido da heresia
e dirá para repousares que a viagem foi exaustiva
e que estás cansado de si mesmo, e que não queres mais profanar
seu corpo
e que fostes o melhor amante de toda a Palestina e arredores do Oriente Médio;
que só tu sabias como acariciar sua pele de um jeito que alucina,
que só teu corpo satisfaria seu ser,
mas que era necessário que parisse mais um neto das estrelas,
para que, no futuro, quando os italianos comessem macarronada com molho
ao sugo e um pãozinho,
se lembrassem que mais alguém curtia bracholas.

levassem a mão ao peito em reverência

e dessem os restos ao cachorro mais próximo,

a virgem partiria, então, com seus apetrechos de mulher e sua carne macia,
e provavelmente a primeira noite seria a pior delas,
pois acharias que jamais te habituarias a sua falta,
como poderias viver sem seu hímen ambulante?
ela era a parte de ti que perdeste nos cassinos, com outros jogadores
eras o que temias ser nas vielas das ruas, quando fostes mero passante (lembra?)
mas te habituarás entre um trago ou dois,
e acelgas e estrelas do mar iriam postar-se ao seu lado, condolentes,
e quem sabe abrisses até
um restaurante natural.

apenas um vestígio ou dois indicariam à sua clientela o ocorrido;
uma almofada pendurada em berço esplêndido em lugar de honra e síntese,
as estrelas marinhas em teus olhos, as acelgas como garçonetes,
e teu hímen choroso, à busca de quem o desvirgine.

num canto da sacristia, o cão devora os restos de massa e molho inglês.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Pelas ruínas de Atenas caminha o partenon

pelas ruínas de Atenas caminha o partenon
rodeando
as esfinges;
pirâmides respingam em seu olhar vinagre quente

máscaras coreografam seus movimentos inertes,
e tornam-se audíveis acordes
de melodias perdidas no tempo;
é tarde, eu sei.

seu lado ferino se manifesta às doze badaladas
do relógio da sala;
não tenho medo de seus envios.

se pudesses, tolherias a corrente dos rios,
secá-los-ia às nascentes, não permitiria seu rumo.

avalio a grandiosidade das montanhas;
mas não se comparam aos picos do ser
apesar de serem belas
e desvirginarem as nuvens
num constante;

os ventos do deserto assopram suas areias,
grãos que viajam em destino de outros
amarelos átomos de solidão iminente.

continuo a rabiscar minhas folhas em branco,
apesar de mais sábio e mais sóbrio
de ser.

rabiscos que formam figuras estranhas, fragmentos de real
sonhos de criança, lembranças de viver

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Belo é seu dom de criança

belo é seu dom de criança,
e grandes as esperanças de seu realejo
de menino doce;

não sei como escrever estes fragmentos de vitral
sem me machucar em seus cacos

tentarei.

pelos caminhos e trilhas que caminha,
nascem as tulipas que formam sua trilha
franciscana;
não tenho como expressar meu pesar
de ver seus pés rotos e andarilhos
esvaírem-se em sangue e feridas

mas que posso fazer eu, se ratos roem as cordas
de meus poucos instrumentos
à última sinfonia?

estou tentando, baby, e isso é impossível.

mas não me responsabilizo por poemas que ladram e mordem
esses teus braços finos e frágeis
nem por ratos que roem cordas de tchellos
em seus derradeiros acordes.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Na ópera, no teatro municipal de ego

tríptico

I

retumbam os sonáticos, anuncia-se a horda;

batem nas máquinas todas as suas teclas
não se preocupam com os seus gemidos de gelo

aceleram o ritmo num crescendo, ainda sinfonando
aumentam as batidas de corações afoitos de medo e ser

ultrapassam todas as limitações de sério e absurdo,
deixam de serem para serem outros eventos sem nome,
brancas nuvens de idéias e trovões, que de quando em quando
soltam raios e alucinações à multidão pasma.

gira, louco caleidoscópio, e te digo mais,
te rogo esta mandinga:
que cada uma das suas cores rodopiantes,
que cada um dos teus raios devoradores de egos imaturos
se torne um pequeno bebê, uma mistura de inocência,
novidade e, principalmente,
um mudo obscurantismo
daqueles de quem sabe tudo, mesmo sem nada saber.


II

ainda quero te prescrever remédios, brincar contigo de medicina vã;
sinto falta de tuas palavras marteladas nas bigornas,
quero o teu cheiro em minhas estrebarias.

não posso viver sem minha náusea diária de ti,
e disso sabes tão bem quanto eu.

III

não pude deixar de implorar até o fim.
agora, quando todos retiram-se do auditório,
nessa cidade meu pequeno ésquilo escreve seus pontos;

permeado por suas vírgulas eróticas,
sinto-me impelido a encerrar mais este colóquio
com algumas considerações pontuísticas;

nada mais tenho a dizer, parto sem dor, mas filho.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Sobre uma Proposta

GENIUM


Justo agora que eu havia mencionado que estava tudo acabado você me vem com esse papo idiota de casamentum!!! Isso é coisa de boçal, de ridiculuzão que não sabe o que fazer da própria vida, pombachhh!!! Ai, você fica uma gra-ci-nha irritadinha! Hmmmmm, você acha mesmo? Ah, tá bom, vai, mas só uma vezinha, tá bom? juro que só uma. Foram embora e me deixaram aqui o resto do conto. Ai, que chatinho, não?

(Veja o lado bom da coisa: escreva você mesmo o final.)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Pós Tanatos

Quando os violoncelos pularam por sobre as ondas,
Mal pude crer no que via:
Abri as portas e o Sol adentrou sem cumprimentos;
As cordas ainda ressoaram tensas quando o cortejo passou
Pela rua;

Tirei meu chapéu roto sem muita ênfase.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Tanatos

Dá-me a entender
Que outras cores povoam
Teus sonhos;
Sigo a tentar entender
Esses estranhos sons
Que se propagam;
Teus pensamentos,
Cadáveres putrefatos, padres, bênçãos.

Os cânticos parecem mais suaves;
É a morte que se aproxima
A cada esquina.

Canto uma toada triste,
Triste.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Return

Entrou pela porta velha que já precisava ser pintada, no mínimo. Mas não pensou nisso. Como o de costume, o tapete estava cheio de pessoas barulhentas que conversavam entre si. Mas isso também não importava. Sua filha solteira falou-lhe de fugacidades, às quais não respondeu. Mas não pôde de deixar de notar na mãe, no seu olhar, um brilho que não existia antes.

Há algo de podre no reino da Dinamarca.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Nexus

O vento batia-lhe com violência, desfazendo seu coque tão bem arrumado, principalmente nos domingos de missa. Velas acesas, um padre a dizer e a prometer em frente a um altar de reverências e medo. Riu. O cavaleiro lançou um olhar que rescendia a chamas, cinzas. Cerrou os olhos.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Montaria

Quando finalmente resolve assentar-se num daqueles desconfortáveis bancos de cimento de dentista, passa o homem a cavalo. Nem pensou o que ele estaria fazendo ali; o que mais lhe chamou a atenção foi a crina do cavalo, fogosa, ondulante como o demônio (Cruz, credo, Deus me livre!, pensou). Mas era inegável a beleza do garanhão e daquela mão gentil que se estendia e a convidava para subir. Devia? Ah, meu Deus, não tenho mais idade para essas coisas... mas qual o quê, pensou consigo mesma, ainda não morri. Sorriu um sorriso cheio de candura, semelhante ao que dava aos netinhos nas barulhentas tardes de domingos, lambuzadas de doces quitutescos. Vamos.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Esperai

Ai, meu Deus, dizia a velhinha, incontida na sua ansiedade anil, que demora ! Tricotava para lá e para cá sem parar um instante sequer, já imaginando quão bem o suéter ia ficar no sobrinho desengonçado e pagão. Coisas da vida, suspirava ela entre um ponto e outro.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Pichado nas paredes da cidade – I

a cho as canoagem de
sua persona sem igals
limites
bailar pelas águas tre tre trevosas
sem boy as as as
as as
expectativas esperanças (eminências ? )
são várias
variadas
variedades lá lá lá .........
não se pode deixar de se velar tonca
na tonga da mironga, tudosexprmeateosumosair
duro, duro........ diz a trvrvrvrvrvrvtv ERROR ERREI HEI HEI
HEI HEI
( Ali, que baixariaaa !!!)
jo gusto de brincar
to play, para os mais nacionalistas
de ser gente, ser poeta.
Ma no poeta qualquer, poeta de sqina. Nooooo !!!!!

Jo soy pretensioso, jo quero conquistare tutti quanti!
(Aaiii, lou CÃO!!!) (Cê aacha ?)
Peço aos senhores muita atenção presneta cu lo que esttapara begin
una petita homenagem a los poemas simbolistas
( aplausos )

tchan tchan tchan tchaaaaann !

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Do Quietar das Horas

um relógio deve necessariamente gerar algum tipo de perturbação.
um relógio mecânico gera um barulho auditivo e visual.
um relógio digital/eletrônico gera um barulho puramente visual.
um relógio deve gerar necessariamente algum tipo de perturbação
pois o tempo ( e seu som )
nos soa inaudível.

................................................. (foi-me difícil dizer isso).

domingo, 6 de dezembro de 2009

Casa de Campo

os ventos sopraram e sopraram sobre
a casa de campo deste homem
(e eu nunca o conheci, realmente)
e a casa não sofreu nenhum abalo
visível, e os ventos sopraram
um pouco mais alto, e a muita terra
acima desta casa
(casa que me é estranha)
a cobriu.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Perpetuum Mobile

e os homens e os cães e seus passos
e as aves e o ar e as folhas se movendo
e os prédios e as valas e os carros e
os homens e seus passos e
os homens parados
que conversavam.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Fim de Caso

Pérolas a escorrer de teus braços
Em ondas descontínuas
As lágrimas o tempo há de levar
Para longe de teus olhos (um dia)
Hão de se juntar
Ao amor que já partiu
Sentimos muito
Nos amparamos na farsa das condolências
Em pensar em cotilédones
Ou partir para uma razão
Motivação racional
Do desabrochar de um botão
Ou da queda das pétalas da flor
Que já murchou
Dela, só resta a fragrância
Para ser usada
Por sob as orelhas
Nas noites de Gallery.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A Janela Indiscreta

Quero ver a noite nos teus olhos de estrela pagã:
Vocifera nos meus ouvidos a lágrima ardente
De paixão: e permita que, por uma só vez,
Aconchegue-me aos seios teus
E desfaça-me, lúcido, líquido, inverossímel e poeta
Por entre seus cachos
Que persistem a inexistir
Por detrás da boca úmida, seca
E antitética,
Tocando com suavidade
Envolvendo sua doce voz na melodia
Ainda que desgastada
Desta canção de virgem ardor
Puritanamente reservada.

Ao último verso.

À última letra.

Ao último beijo.

Ou a uma indiscreta janela.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Porcarias Terminais

Nasci sem filhos
Virgem de pai e mãe
Meu hímen, ainda o preservo
Em algum baú velho
Para um eventual
Estupro
A dois ou mais

Se da Vida nasce a Decadência
Esfacelo-me em meus pensamentos
Piloto inábil
Sem volante, freios,
Sem rumo
Em estrada
Sem piloto

É das emoções fortes
Que a Vida se nutre.
Às vezes definha,
Ou então empanturra-se
Como um porco gordo e sebento.
Daí, é só levá-lo ao abatedouro mais próximo
E, secamente,
Findar a existência.
Com uma farta e gordurosa
Feijoada.

Um pacto tão real
Faz o porco,
Que o leva a se suicidar
Em data (im?)prevista.

Porco louco,
Incurável.

Porco porco,
Porco louvável.

Óinc!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Atos Impuros

a niguém


Os atos que atuo são ilúcidos,obscuros, densos e profundos
canyons;
A quem apurar seus ouvidos e silenciar por alguns breves instantes,
chegarão sons estranhos:
Sons de cinzas esfregando-se na neve,
Sons de cabelos caminhando descalços,
Sons longínquos demais para que sejam escutados.