quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Montaria

Quando finalmente resolve assentar-se num daqueles desconfortáveis bancos de cimento de dentista, passa o homem a cavalo. Nem pensou o que ele estaria fazendo ali; o que mais lhe chamou a atenção foi a crina do cavalo, fogosa, ondulante como o demônio (Cruz, credo, Deus me livre!, pensou). Mas era inegável a beleza do garanhão e daquela mão gentil que se estendia e a convidava para subir. Devia? Ah, meu Deus, não tenho mais idade para essas coisas... mas qual o quê, pensou consigo mesma, ainda não morri. Sorriu um sorriso cheio de candura, semelhante ao que dava aos netinhos nas barulhentas tardes de domingos, lambuzadas de doces quitutescos. Vamos.

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