domingo, 27 de dezembro de 2009

Peito nu

A mão enrugada abre a porta da sala 1806. Dos lábios, um gritinho rouco, obscuro. Os olhos vêem no tórax arquejante e no abdômen saliente muitas, muitas palavras aglutinadas como se fossem cristais rubros. Dois ou três espermatozóides passeiam sem pressa pelo carpete macio, saindo porta afora, assim, como quem não quer nada. O zíper se fecha. Os lábios sentenciam: “muito estranho, muito estranho.”



No teclado, o brilho da Lua refletia-se em vão.

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