sábado, 19 de dezembro de 2009

relatos verídicos da bíblia da província

Quem seguiu teus passos na moita escura
e pelos degraus da catedral
central
viu quando fugias pelas sacristias?
Um mistério sem solução,
Vulgar sacristão.

deixa que a virgem te abandone nessa fuga de ti;
ela te deixará sobre macias almofadas de cetim, o tecido da heresia
e dirá para repousares que a viagem foi exaustiva
e que estás cansado de si mesmo, e que não queres mais profanar
seu corpo
e que fostes o melhor amante de toda a Palestina e arredores do Oriente Médio;
que só tu sabias como acariciar sua pele de um jeito que alucina,
que só teu corpo satisfaria seu ser,
mas que era necessário que parisse mais um neto das estrelas,
para que, no futuro, quando os italianos comessem macarronada com molho
ao sugo e um pãozinho,
se lembrassem que mais alguém curtia bracholas.

levassem a mão ao peito em reverência

e dessem os restos ao cachorro mais próximo,

a virgem partiria, então, com seus apetrechos de mulher e sua carne macia,
e provavelmente a primeira noite seria a pior delas,
pois acharias que jamais te habituarias a sua falta,
como poderias viver sem seu hímen ambulante?
ela era a parte de ti que perdeste nos cassinos, com outros jogadores
eras o que temias ser nas vielas das ruas, quando fostes mero passante (lembra?)
mas te habituarás entre um trago ou dois,
e acelgas e estrelas do mar iriam postar-se ao seu lado, condolentes,
e quem sabe abrisses até
um restaurante natural.

apenas um vestígio ou dois indicariam à sua clientela o ocorrido;
uma almofada pendurada em berço esplêndido em lugar de honra e síntese,
as estrelas marinhas em teus olhos, as acelgas como garçonetes,
e teu hímen choroso, à busca de quem o desvirgine.

num canto da sacristia, o cão devora os restos de massa e molho inglês.

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