segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

poema em mar

a estrela marinha
perguntava ao seixo:
“como deixa o silêncio
cobrir-te as entranhas?”
o seixo, sábio, responde:
“calo e não me expando,
sou de meu tamanho.
o que não é pouco”;
estrela insistente,
“mas teu silêncio perdura
e dele nada emana
a não ser uma possível candura
daqueles a quem
nenhuma palavra profana
a estupidez!”
o seixo quietou-se
até que a estrela partisse
do mar e, feita souvenir,
percebeu no seixo
a sabedoria do semelhante,
do indistinto, do silêncio,
pois este é o único que sobrevive
à intempérie de se existir.

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