domingo, 7 de fevereiro de 2010

livro das províncias de ego

a mitologia segundo id

I.

exaustamente, ele criou o universo e os outros deuses, além de algumas baratas
que não ignorou, apesar de serem vãos sopros de sua formosura.
descansou semanas a fio numa casa de massagens lendo tio patinhas nas bibliotecas sem escadarias,
e assustou-se ao ver como podia fazer o tempo passar depressa
se enrolasse seus bobs.
os homens nesses tempos bravios eram fortes e vazios, com membranas de éter,
e nenhum pensamento entrecruzava esse ar, permitindo total calmaria.
mas as tempestades começaram a azucrinar os seres mais susceptíveis de tal,
e ele criou a neblina para impedir que visse além
dessa tênue cortina
imóvel.

II.

e antes que viessem as religiões e os religiosos, ele criou os puteiros
todos se deliciavam nessas centrais de orgias.
daí vieram as freiras e os padres e os rabinos e a polícia e os vizinhos,
e ele criou a impotência para castigar aqueles que o combatiam
e todos, impotentes, bateram uma punheta
em retirada.

III.

e os homens se desligaram dele, e criaram seu próprio mundo, seus próprios refrigeradores e tapetes de camurça e capachos,
e se esqueceram que algo além de aves sobrevoava suas cabeças
e ignoraram que algo além dos ventos acariciava seus rostos nos dias de desesperança;
e ele ficou triste, e ele se retirou como um relógio velho, o relógio dos tempos que se foram
sem dizer tchau;
e até hoje não voltou de seu recanto de veraneio
desejo
e frustração.

saiu de fininho, deixando a porta entreaberta e dois tomates numa geladeira desligada.

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