quinta-feira, 18 de março de 2010

Poesia

E a poesia dormia
E sonhava,
E em sonho cavalgava louca
Solta em pradarias
E uma poesia louca delirava
A pobre poesia era só sonho, e sonhava
Com seu grande dia
O dia em que, libertada,
Poderia sair do que se dizia
Impedir-se de ser mediatizada
Por um sentido que a trairia.
A poesia – amor platônico? – ria deitada
Em transe, e se imaginava poesia.
Poesia não intermediada,
Poesia que o ar carregava, poesia vida,
Pois só a vida é poesia.
Mas nossa poesia, infeliz, não é vivenciada
E recusa-se a falar e, calada,
Só sonhava um sonho de maresia,
Uma maresia calma que a banhava
E cobria o sonho pouco desta poesia
De uma fina película de areia,
Areia fina,
Fria.

A poesia pouca e fria se deixava recobrir de areia
E a areia da maresia do mar da palavra porte forte de nossa pobre poesia
Calou-a, e ela se fez uma estrela marinha.

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