segunda-feira, 26 de abril de 2010

Conto tardio

E sabe o que mais eu fiz? Visitei aquele lugar quente e silencioso em que nos conhecemos (bem que podia ter sido um pequeno útero). Defronte aquelas pequenas inscrições na pedra, mantive-me numa espécie de transe respeitoso. Sensação estranha. O homem ao meu lado tinha uma expressão abrupta no rosto; trajava um casaco de abas longas e rotas, e olhou-me só uma vez, como que para certificar-se de minha presença ali, ao seu lado. Lado a lado como dois estranhos.

Cansam-me um pouco estas visitas. Quando sua expressão atenuou-se um pouco, pedi-lhe que fôssemos embora. Hesitou um pouco, releu as inscrições, beijou-me a testa e foi-se. Sozinho.

Acredito que nunca irei perdoá-lo por tamanha injúria.

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