quarta-feira, 14 de abril de 2010

A gente senta no banco da calçada...

A gente senta no banco da calçada, num pedaço de sarjeta
e pensa na vida e em tudo que a cerca de fumaça
E neblina fria.
A gente para num canto da esquina e olha os carro passando tão rápido...
(Nem sei te dizer quanto)
A gente se descobre empacada como um burro velho num pichado de musgo,
E se pergunta o que fazer;
A gente rasga as roupas e xingo todo mundo bem alto na pretensão de se sentir mais livre,
E se percebe somente um pouquinho mais tolo que antes;
A gente que pensa ser tantos e tanto, tropeça num pedinte
e sente tanto, tanto nojo de nós mesmos......
A gente que sorri com os dentes perfeitos num peito enegrecido e cinzento,
a gente que só consegue sonhar com aqueles minutos de paz depois do expediente,
a gente que encontra o cinzeiro cheio de bitucas de ilusões amassadas nas mãos,
a gente que
a gente
a gente
a gente.

A gente que se cansa de tudo isso e se rasga nas costas pra ver se saem umas asas com muitas penas de qualquer cor, pra gente voar mais alto,
e percebe que só tem sangue.
A gente que pensa deveria ter um eco acoplado para poder crescer bastante, e ficar tão grande
quanto realmente é.
A gente, sentada num banco da calçada, olha os carros passando bem depressa e fica só pensando no que fazer,
enquanto mastiga o musgo do muro (que tem gosto de piche, cinzas,
sangue.)

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