quarta-feira, 7 de abril de 2010

Noite

Cada noite é um grito rouco e fino
Do que dia que se foi,
Falando da dor da partida,
Grito ferino
Anunciando a luz que breve
Se fará parida.

Esta noite, em seu gemido calado,
Expõe uns caninos amarelos de sol;
O céu de sua boca vazado em furos,
Alguns homens pichando os muros
Sob os rasgos deste vasto anzol
Aninhando-se aonde o horizonte fecha um olho cego.

A noite, sedução de quem busca aninhar-se nela,
E dela faz seu recanto, refúgio, vento, vago
Subterfúgio;
Noite mãe de onde todo homem tem seu início
E seu fim,
Sem precipício;
Noite de rangidos, de tudo o que é vago,
Em mim trago a noite,
Tanto quanto ela me traz,
Em mim,
O tanto de mim
Onde eu a trago.

Nenhum comentário:

Postar um comentário