terça-feira, 13 de abril de 2010

OPIUM

Tenho em meus pés o dom de minhas memórias, memórias que cheiram forte
e que tem calos e feridas
Aberta, além de cicatrizes.
Tenho neles todas as minhas andanças, tudo o que vi ou tudo o que viram por mim;
Lembro muito de Opium; era uma cidadela pequena, algumas mulheres nas igrejas
E nas janelas, um cheiro forte de feijão cozinhando na lenha.
Opium é um campo devassado, uma linha de horizonte no infinito das coisas
De onde objetos sobem e descem, onde à luz sucede-se o sonho e os fatos
(Que afinal, não são tão diferentes assim.)
Vi o homem que seguiu o Sol, paciente e lento, em sua jornada ao crepúsculo,
E o rodopiar alucinado da noite que o seguia.
Ele não se cansava; dia após dia, observava este movimento contínuo;
Somente em certas noites muito especiais ele descansava.
Aos poucos eu fui compreendendo sua paciência; sem que nada me dissesse,
Percebi que ele buscava, em cada dia, em cada noite, uma única diferença,
Um único pedaço ou partícula que diferenciasse os dias e noites de outros
Dias e outras noites. Minuciosamente polia suas retinas e, silencioso, observava
Cada movimento do sol em direção ao alto, cada raio de luz que chegava até ele,
As gotas de orvalho sobre as copas das árvores; tudo observava e analisava
Num trabalho arqueológico, mas nada conseguiu.
Pela primeira vez, sentou-se. A própria treva permaneceu indecisa mas, vendo-o
Sentado, imaginou que se tratava de mais uma suscetibilidade dos homens, e pôs-se
A rodopiar ao brilho da primeira luz da noite – não uma estrela, mas sim o lampião
Que sempre carregava consigo.
Era como se sentisse com ele seu peso, sua sensação de angústia, uma enguia
Agitando-se no baixo ventre. Tudo era tremendamente claro e simples: um pouco
De cada vez, sempre, irregular. Não mais se importava em perder a única coisa
Que talvez tivesse; noite após noite, até durante alguns dias, ia saindo de mansinho,
Devagar. Pouco a pouco fui deixando-o e, no último momento – o derradeiro – tinha
Uma violeta enrolada num pedaço de sua própria pele. Quando o deixei, seus olhos,
Apesar de úmidos, eram dois livros sem página, ocos, vagos.
Era outono; folhas começaram a cobrir-lhe as pernas e o peito
Enquanto eu contemplava, sentado numa beira de vidraça provençal,
As duas esferas de fumê que se aqueciam à luz desta noite de outono.

Um comentário:

  1. ...traigo
    sangre
    de
    la
    tarde
    herida
    en
    la
    mano
    y
    una
    vela
    de
    mi
    corazón
    para
    invitarte
    y
    darte
    este
    alma
    que
    viene
    para
    compartir
    contigo
    tu
    bello
    blog
    con
    un
    ramillete
    de
    oro
    y
    claveles
    dentro...


    desde mis
    HORAS ROTAS
    Y AULA DE PAZ


    TE SIGO TU BLOG




    CON saludos de la luna al
    reflejarse en el mar de la
    poesía...


    AFECTUOSAMENTE
    SILVIO


    ESPERO SEAN DE VUESTRO AGRADO EL POST POETIZADO DE EL NAZARENO- LOVE STORY,- Y- CABALLO, .

    José
    ramón...

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