domingo, 25 de abril de 2010

Só agora percebo

Só agora percebo que já é dia claro. O Sol surge no horizonte, mais invulgar que nunca. Como todo bom vampiro, ele se desvaneceu numa nuvem de névoa esverdeada. Finalmente cumpriu sua promessa. Em diversas vezes que parávamos para apreciar um prédio em construção – “os prédios quando estão sendo construídos assemelham-se às flores desabrochando; cada viga, janela, parede, é uma pétala que se acrescenta até o desabrochar, no final. é preciso ter a sabedoria de apreciar esse nascer”, dizia -, sempre com aquele ar absorvido, como um jardineiro observando atento e quieto o crescimento de suas hortênsias, pensando se elas precisariam de um pouco mais de adubo, sussurrava: “qualquer dia eu vou desaparecer numa nuvem de vapor verde, mas sei que você entender então.”

Nunca imaginei que seria tão compreensivo.

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