terça-feira, 27 de abril de 2010

Vede como somente os restos de lixo urbano

Vede como somente os restos de lixo urbano
Atingem o nível maior de perplexidade perante seus donos
E proprietários?
Quietos, silenciosos, espreitam os portões e vielas
Vigiam as sarjetas,
Atentos a cada movimento.
Olham as crianças correndo nas ruas,
As mulheres com seus sacos de compras e brincos de strass,
Os homens engravatados beijando os filhos sonolentos,
Os carros rodando a esmo;
E estes, perplexos, estes azuis, pretos e marrons sujos
Fedendo a laranjas e cinzas de cigarro (cheiro de certos maridos)
Não compreendem como tantos, em chintz ou lycra, no brilho ou na sombra,
Correm e andam, sentam e param, riem ou fingem sorrir.

Tanta energia desperdiçada,comentam entre si em seus redutos particulares,
Seus guetos;
Tantas palavras, gestos, atos, vácuos, vácuos,
Vácuos;
Estes, pensam eles, de tudo fazem para preencher seu intenso
Vazio;
E, no instante derradeiro de sua partida, quando homens alaranjados
(Uma cor entre o sóbrio e o alegre)
Capturam-nos por suas pontas, por vezes por suas alças,
Eles rompem com sua própria perplexidade,
Mas recusam a contemplar-se;
No seu instante de ida, eles mais intensamente observam a pequenez do homem,
A igualdade de suas condições
E riem, riem muito.

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