domingo, 16 de maio de 2010

Ao nascer

Ao nascer
A beleza de uma tez infantil
Olhos azuis a refletir a luz do céu
Aos dez
Corria pela casa feliz
E o orgulho de uma de uma inteligência em botão
Que principia a desabrochar
Aos vinte
Garotinha cantada como mina
Pelos portões e barzinhos
E a Lua cheia a espelhar
Pérola noturna do sorriso teu.
Aos trinta
A primeira ruguinha desmponta implacável
E sente-se que a sua jovialidade
Sofre o primeiro baque
Perante a implacável (também) birthday date
Aos quarenta
Nem tudo é felicidade
Vaidade
A atormentar a tez que se dilui
Num mar de imperfeições
Talhada pelo tempo
Que já se esquivava nas trevas das
Lágrimas amargas (ou talvez não tão)
Aos cinquenta
Não mais a jovem de olhos celestiais
Cabelos escuros como a noite
E o sorriso lunar (cheio);
Os cabelos já mostram traços de Lua
Os dentes já atingem a noite
O sorriso cada vez menos celestial
Apesar dos olhos ainda evocarem estrelas
Um suave piano
Ainda que solitário
E tocado por mãos que não mais existem
Aos sessenta
A lua já dominava o seu cabelo
Os dentes já haviam sido devorados pela noite
Junto com o sorriso
Felicidade não mais.
Tudo ia assim
Tudo era assim
Tudo estava assim.
Até que, num dia qualquer,
Veio o céu
E tomou, suave, as estrelas
Para iluminar o crepúsculo que se aproximava

E ele veio
E, com ele, uma noite onde faltavam duas estrelas
Que tocavam piano
Para o Sol que se ia.

E se foi.

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