terça-feira, 4 de maio de 2010

Apelo à Lua

Numa de suas infindas sarjetas, o poeta murmurava.

Boa noite, piranhona. Você está bonita, sempre foi bonita. Só que nunca me deu atenção, só fica me seguindo por aí, para aonde quer que eu vá está você. Nos terraços das casas, debaixo de ti, eu só fico a me imaginar, a me locupletar de fantasias com você, sua piranhona. Você me deixa louco com essa sua cara branquinha, eu fico querendo te penetrar por todos os seus orifícios, sua maluca, e eu sei que você sabe disso. Por isso que você me azucrina, não me deixa em paz, me segue para todos os lugares que eu vou. Eu pulo, balanço os braços, tento voar para te alcançar, mas nunca consigo. você deve rir pra valer, achar uma puta graça de mim, aqui embaixo pulando e tentando te pegar, não é? Mas tudo bem, um dia eu a terei entre minhas pernas, e daí te farei gozar cem vezes, e nunca teu brilho voltará a ser tão intenso quanto nesse momento. Que eu invejo essas estrelas que estão ao teu lado, eu invejo. Gostaria de não ser tão efêmero, de ter mais tempo para te declarar amor, te deixar vermelha nas noites em que estás cheia, mais que uns míseros 40, 50, 70 anos, talvez menos que isso. Gostaria de ser como suas amiguinhas, ter milhares de anos para te dizer bobagens, para te excitar com minhas insinuações, para te levar rosas roubadas dos jardins de Zeus e escondê-las no teu lado escuro enquanto a noite não chega. Mas um dia serei como elas, as estrelas. Talvez eu consiga voar uma noite dessas, e ficarei ao teu lado. Vou te contar umas histórias doidas que te farão rir e sorrir, te encantarei com meus dotes. Serei poeta, e só então serei eu. Algo mais que efêmeras estrelas que o Sol encobre.

Levanta e se vai, sem mais nada dizer. As folhas caem de seu colo. Só a lua o acompanha em sua trilha de bêbado sem rumo certo.

Uma brisa bem, e as folhas se dispersam.

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