quinta-feira, 27 de maio de 2010

Eu andava na rua

Eu andava na rua
Quando o homem olhou-me;
Ele não viu meus versos de poeta,
Pediu-me pão.
E o poeta negou-lhe o pão,
Desviou o rosto.
O homem sujo poderia ter matado o poeta
E sua impotência,
Fazendo do poeta um homem
E do homem, poeta,
Mas ele preferiu buscar o próximo que,
Como eu,
Simplesmente o ignorou.
E a poesia tornada impotência
Aspirou à vida à própria morte;
Porém, covarde que é,
Fez-se verso,
Embora o poeta mentalmente beijasse
As mãos do maltrapilho,
Em bênção.

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