sábado, 8 de maio de 2010

o espírito santo, na forma de uma pomba, busca fecundar a virgem após a deposição de jesus morto.

estava na colina quando te vi vertida,
e a dor corrompe como a chuva ácida
sobre o solo despido: seu corpo hoje não é a chaga
de seu ventre (mãe outrora), mas jorra.
deita-te, mulher d alma pálida;
não faça da tua face o escândalo,
nem te surpreendas o gozo que te lanço;
assim como lançastes o corpo ao solo,
eu te lanço o sêmen para que o milagre se faça;
o que busco entre teus lábios entreabertos,
no silêncio abrigado, nas tuas entranhas
(pois já fostes mulher, mãe, e hoje
nenhuma palavra te apaziguaria a paz),
é menos esta fala que te soaria pouca;
meu anseio é retornar-te
ao mundo onde encontrarás teu nome
e, chamada, a paz tornaria à origem
pois o tempo se desfaria e,
em meu engodo,
seria como se tu nunca tivesses conhecido
o mundo mesmo que hoje carregas à treva.
permita-me afogar tua sombra no meu lago pouco,
mulher de olhos vitrificados,
antes que soe a hora
e eu parta – grão – para o lado da ampulheta
que a sombra mesma da vida encobre,
até que a morte também caia.

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