sábado, 1 de maio de 2010

Um homem docemente caminhou sobre a terra

um homem docemente caminhou sobre a terra
e não percebeu em seus pés
as raízes sólidas e dolorosas que criara,
à sua revelia.

mãe e filhos cresciam sob seus passos
como juncos desorientados e enfim feitos mais fortes
que a tormenta erguendo-o acima do solo
sempre para o alto.

gritamos todos, mãe e filhos – eu
que o amava como só se pode amar a um homem
mas todos os gritos só se perderam no torvelinho,
não grilhões, não correntes.

um homem docemente caminhou sobre a terra
e não percebeu em seus pés arrancados
nas raízes sólidas
minha alma que levava consigo.

tampouco o turbilhão;
mais e mais para o alto,
enquanto a terra de que fomos feitos gretava infértil,
à guisa de cicatriz.

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