terça-feira, 8 de junho de 2010

Organum

Na catedral, os fiéis assistem quietos a celebração da fé,
Sentados, os braços cruzados numa atitude respeitosa.

Na sacristia, o clérigo ouve o silêncio de uma narrativa, uma voz escusa e silenciosa
E fria, que ecoa fundo, confundindo-se com a nave sob a batina branca.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Sem fim

Pequenino, nasce e crescendo descobre que melhor seria se não o tivesse
Conclusão tarde, tardia sedução de memórias envelhecidas enrugadas.
Se senta, se sente como se seu peito lhe pregasse uma troça,
Um prego fino, comprido e gelado fincado fundo no mamilo esquerdo.

domingo, 6 de junho de 2010

PÓS

Após tudo, me sento e me sinto refletido nas teclas deste piano
E, apesar de tudo e de todas as coisas que poderiam levar-me a ir,
Mergulhar fundo nas terras que cercam este lago, fábula intrínseca
E particular, tranco e cerro as portas de acesso
Afogo-me nesta gafe úmida dedilhando o amor escondido em nós, em
Todos nós.

sábado, 5 de junho de 2010

HAI-KAI REEDITADO

Calma.
Te sente e reflita sobre cada palavra sofrida que te sai dos seios nus.
Não permitas que este fluido ácido e tirânico te corroa as entranhas o papel na qual
As deposita
dia após dia.