segunda-feira, 9 de agosto de 2010

No rosto sem cor

No rosto sem cor,
Os olhos gravitam.

Os lábios são filetes
Grisalhos na face já queda.

Filhos do tempo,
Sobrancelhas desbotam com o vento.

Reminiscentes, os cílios permanecem
Como árvores secas e retorcidas.

Narinas estáticas,
Tulipas que perdem seu perfume.

Descrição plena e exata
De um rosto que não se parece com nenhum
Mas se assemelha a todos.

(1985)

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