sábado, 25 de dezembro de 2010

BREAKFAST

O cosmos, esse agrupamento de pedaços de linguiça e pão.

Te conheço desde minha infância, quando te invejava eu sua grandeza de migalhas;

Hoje, sei que tenho a ti dentro de mim, que nos confundimos um ao outro em nossos folguedos de esconde esconde;

E tu, tu também sabes que na essência da minha vastidão tens uma parte do controle acionário.

E eu, eu me conheço como a teus mapas celestes,

sei onde cintilam minhas maiores constelações, e onde se enevoam plumbeamente

Minhas maiores nebulosas.

E caminho contra ti, em tua direção sinalizo e me agito.

Tuas migalhas são as minhas, teu sistemas refletem os meus, nos perdemos uns nos outros e nos encontramos.

Para finalizar, nos rompemos em fatias herméticas de pão sem casca, migalhas que os outros sartreanamente comem e digerem,

E se fazem maiores que na realidade o são; na real realidade, nesta presente verdade, nada mais são;

são mais que fatias, são a geleia que mela

que sela o pão.

Gela, cala então, e, quando se derreterem suas geleiras frígidas, encontrarão meia dezena de mamutes,

E se perguntarão pelo significado de mais esta metáfora.

Deixa que se sequem, que se sufoquem em seus próprios lenços, lençóis;

Que se atraquem entre si, nos portos, que beijem suas esposas e filhos e contem, emocionados, as peripécias desta viagem,

Das estrelas e dos cometas, dos dias e noites, dos pães e dos mamutes.


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