quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Quando chegar, não bata a porta

Quando chegar, não bata a porta,
Por favor.
Seja silenciosa
Que tal antes um pequeno afago
Ou quem sabe um beijo
Por entre os olhos?
Podemos sentar-nos, frente a frente,
E entre um gole e outro
Sorver saudades amargas

Assente-se na minha poltrona;
Ela também é sua, afinal!
Relaxe,
Talvez eu esteja tenso
Talvez tremendo de febre
Ou bêbado, correndo ágil.
Talvez eu sequer esteja.

Mas não ligue para as formalidades;
Sem confissões, sem extrema-unção,
Nem uma praia deserta, ao luar
Ou um campo fértil, cheio de trigo,
Nada disso.
Quero morrer, viver essa experiência
Única e inusitada
Nesta selva, a única que sempre amei e amarei
E, quando estiver conduzindo teus caminhos
Por escuridões sempre presentes
E um verme ou outro, a esmo
Quero ver-te ao meu lado
E dar-te o último beijo.
E então o mundo estará mais leve.



(12.1984)

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