segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

IMPERIUS

Deleite de poucos, estes privilégios demoniacais;

Neosutilmente, apaga as luzes
E o neon de meus olhos lumia a candeia da escuridão;
Sim, sou eu.
No teu falo, escoa todo o muco do meu corpo;
Meu lar é teu gozo,
Habito cada canto dos teus pelos,
Eu te excito, e eu o sei muito bem.
Penetre, e daí não saias, pois esta é tua lápide,
o teu thanathos é o meu eros.
Rio-me de teus gemidos; e assim é desde que te conheci.
Era uma garoa fina que se depositava sobre meus seios,
E entendi o seu sinal molhado.
Umedeci meus lábios com a ponta de teus lóbulos,
E me decidi.
Fugi de mim para melhor me encontrar, mas nem sempre me encontrei,
Desconfio que tens as chaves, aqui mesmo, no teu escroto,
E eu sugo teus bagos sentido o teu gosto,
Sentindo-te dentro de mim.

Não passas de um mero exercício do meu auto-erotismo senil.

Mas gosto, sequer me importo
com o fato de não ser um gênio,
nem um imperador, ou um prostituto invulgar,
ao que nos assemelhamos: dois vermes
rastejando sempre, duas temáticas primárias seguindo noite afora,
um par de ejaculações sem nexo, dois tiros ao ar.
Percebi isto – ou diria percebemos isto? – num sorvete,
numa festa, que sabe até num passeio de olhares, sorrisos
de fato e as carícias – ah, aquelas carícias!
bastou para que soasse meia noite: compreendemos o que acontecera então.
você virou uma abóbora, uma grande abóbora cor de abóbora.
que diria! você, uma grande abóbora vermelha, sem pelos, sem bagos,
sem todo o seu sex-appeal. de certa forma, estacionei o carro
e desci; um cigarro ou dois bastariam em outras ocasiões, mas não agora.

Chegamos aos limites dos fatos: fechei o livro e adormeci
nos lençóis molhados de sêmen.

“A Gata Borralheira” sem dúvida é excitante nas noites do inverno da vida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário