sábado, 26 de fevereiro de 2011

tristeza

deveria pensar por mais trinta ou quarenta anos antes de me aventurar a dizer
de mim. mas aí outro diria, e nem de mim diria, diria de outro
com uma lembrança passageira. uma voz de mulher canta em mim
(e, pasme você, nem sou adélia prado). pensei nos domingos
dias de natureza triste, de tristeza fininha como o miado de pequenos gatos
que habitavam o quintal. eu não mais quintal.
estou triste e nem é domingo, dia onde espelho em mim
o miado escorrido das longas tristezas. estou triste e me confundo
com meu sentimento. se alguém me olhasse os olhos, pressinto que não
veria a mim; talvez, isso sim, me ouvisse baixinho.
continuo a pensar algumas tristeza, e a vertê-las: certo ocaso numa
praia do sul, os olhos longínquos de borges, um pequeno grilo esmagado
por descuido. penso também algumas tristezas mais distantes, mais alheias,
mas não me parecem autênticas. a quem vier ler este texto
evoque para si algumas lembranças, sinta marejarem os olhos.
isso é tudo que não me cabe fazer.
só posso sugerir.

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