domingo, 20 de março de 2011

BREAKFAST II


Massa de pão,
miolo amassado na mesa,
Pisado no chão.
A nata fria geme,
Gela a gordura num grito fino,
Firme.

No fogão, a chama acesa esquenta
Pedaços de papel
E fantasia dura, fantasmas pálidos
De uma sombra
Esquecida num canto da cozinha.

As palavras, torradas secas,
Pulam e se enrijecem, movem-se tortuosamente
na frigideira;
Espojam-se na gordura quente até
carbonizarem-se.

Uma mão rosada toma para si,
Entre seus dedos, uma parte da massa
E a esfrega nas cinzas azuis
E mornas, uma reminiscência, uma parca
ilusão.

Mordisca,
mastiga essa ex-vívida imagem,
engole então.

sábado, 19 de março de 2011

Sem nome

Esta é a luz
Iluminando os rumos
De um sonhador
Frustrado

Farolete invisível
Como luz, intangível
Passam por meu corpo
Por um prazer
Mórbido

Paralelas se encontram
As paisagens mutantes
Passeiam por aí
Num turismo
Muito louco

Meus pés viajantes
Cansados de andar
Pisam sobre elas
Para descansar
Um pouco

sexta-feira, 18 de março de 2011

Poema inativo:

Flores murchas
Secas
Resplandecem sob o sol
Imponente
Passam num andar
Trôpegas
Sob o sol
Causticante
Cavalos de Camargue
Passeiam
Por entre as dunas
Encharcadas
Correndo como crianças
Velejam
Sob águas
Areadas
O Poema sem fim
Prossegue
Em sonetos
Desatinados
Desejo irregular
A todos
Os poemas inacabados

quinta-feira, 17 de março de 2011

Poemas são rosas

Poemas são rosas
Amarelas
Rosas nascentes no jardim
Colhê-los com delicadeza
Cultivá-los com carinho
Amor
Paixão
Ternura
É a fórmula
As notas escorrem
viscosamente pelas pautas
Assim como as palavras
vão formando ordens
Assumindo posições
Noções
Sim ou não?

terça-feira, 8 de março de 2011

A vida é efêmera

A vida é efêmera
Esvai-se
Como temo
Contagem regressiva
Da partida
Inesperada
ou não
Pertencente
A quem?
Não sei.