terça-feira, 12 de julho de 2011

Eu me amo

Serenamente, percorreu a face,
Trilha de sortilégios ocultos
E desmesurados;
Com audácia, tolheu-lhe o olhar
Sem expressão,
E sorriu daquilo que nunca pode
Compreender.
Tomou do lápis – lança de batalha –
E imprimiu o que seu sangue
Jorrava-lhe aos ouvidos,
Numa entonação ora doce e frágil,
Ora forte e resoluta,
Assustando até.


[Pausa para pequena tosse (cof!)]


Parou.
Abandonou o lápis e o parto
E olhou o fruto do seu labor inútil
Entre gritos e sobressaltos.
A expressão – ah, essa era indefinível
E indefinida; algo entre soluçar
E espasmo sutil.
Numa interrogação sem ponto,
Anzol ou gancho vulgar,
Postou seu corpo,
Tomou uma xícara de café
E sentou-se à mesa, dando risadas,
Esboçando sorrisos,
Contando histórias sem fim.

(1985/04)

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