segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Minha poesia

Minha poesia está assumindo em si um elemento de aridez bastante forte. Ela tornando-se árida, ultrapassando o estágio da ‘essencialidade’ de textos como ‘Tempora’ e indo mais fundo na redução de elementos. Ela começou como um homem que vislumbra de modo mais ou menos distante a possibilidade da própria extinção, da morte. Depois, este homem ficou por algum tempo num estágio liminar entre a vida e a morte. Uma vez morto, este homem-menos (porque a morte roubou-lhe algo à medida que lhe acrescentou outro algo) enquanto podemos crer que algo se passa com ele em outro lugar, que ele sobreviveu (ou sua – argh – ‘alma’) e que ele ainda existe – o que muda muita coisa. Observe um homem decompondo-se: pode-se sentir um vazio, um esvaziamento dele; ele tronou-se matéria reduzindo-se nos seus elementos mais primários de constituição, expondo as vísceras e estas, transformando-se em substâncias químicas mais e mais simples. Este processo segue. Neste momento, minha poética estrutura-se de forma tal que alguém que a seguisse em seu percurso e relacionasse seus momentos com esta analogia, ao defrontar-se com os textos de ‘Cinco prelúdios à Erma de Ronchavis, a Tesa’, não poderia deixar de achar bastante adequada a imagem de uma ossada humana recostada numa duna, o vendo carregando partículas de areia que pouco a pouco desgastam e criam sulcos naquela superfície amarelada pelo sol cáustico, vento que pode recobrir tais ossos e fazê-los desaparecer de nossos olhos definitivamente, a qualquer instante.

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