sábado, 26 de novembro de 2011

A gde. foda da vida




A gde. foda da vida
É torcer-se o coração
E notá-lo cheio
De amor e amargura
De amores não dados
De amargura recebidas
Porra, eu quero
Esporrar amor pelos poros
Mas nunca encontro óvulos
Fecundáveis
Mais:
Nunca encontro vaginas
Penetráveis
O que fazer?
Auto-felação,
Homossexualismo (não, isso não),
Castração
Ou suicide?
Vejo-me perante três hipótese
Tão horrorosas
Quanto prováveis.

Mas, enquanto minha insegurança
Segura as pontas,
Dos meus seios flácidos escorre
O colostro
Que, por razões desconhecidas,
Ninguém quer sugar.
Que terrível sensação
De ser uma ejaculação
Ambulante,
Das pessoas acharem-me
Viscoso,
Viscoso de sêmen maldito
Embebido em lágrimas
E sangue de abortos!
Quão pedante, quão indescritível
A emoção
De explicar-se como um coração vazado
Que tenta molhar tudo que toca
Num misto de amor e leite!
(Que noje!)
Vomitem, amigos e irmãos!
Pois, enquanto me decido
Minha posição é do chafariz
Jorrante
Assistindo a náusea da coletividade
Até que picaretas me quebrem
Ou que eu me afogue
Nos meus próprios excrementos
De afeto.

(manuscrito)

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