sábado, 10 de dezembro de 2011

Repente



Da impureza do destino,
o mundo rateia
um menino;

(O sapo coaxa na lagoa,
se imerge em
uma vitória-régia
em carne viva)

De flor no chapéu
e pescoço na lapela,
no brejo se ergue
(o contornam os pés de juta
e canela)

O vapor o dissolve num beijo,
e o mumifica
Em resíduos de sal-de-fruta
amargo.



(manuscrito a lápis)

(sem título)


(sem título)

Minto
se te digo
que te venero
como o vento
À luz
Cálida.

Meu tormento,
Redemoinhos
São teus olhos
No meu globo;

Tu,
Que seduz
Gélido
Como nem tu és.


(manuscrito/sic)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Cristal

cristal (1)



seria ilegítimo acenar
tamanha estranheza;
choca-te os olhos
este meu olhar?
perdoa a ausência,
o tato é volátil.

cristal (2)



o que seria ser mulher?
o mistério persiste.
mas deita, amor,
e me permite
gozar
a sabedoria de teus lábios.

cristal (3)



pestanejei
e o mundo se desfez, refazendo-se
em seguida;
fechei as pálpebras por alguns minutos
e novamente ele silenciou;
só a eternidade do olhar impede
o calor de todos os rumores.




1989/manuscrito