quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A amada em abandono




Abandonada e só sobre a cama, outra lascívia
Abate-se sobre seu corpo, agora em tormento;
Em outro leito, o homem em abandono no momento
À brisa mansa entrega a memória passiva

E não pensa no abandono que legou num momento
Da noite perpetuada em dor em outro leito agora abatida;
Em outro leito, a mulher em abandono é consumida
E pela cama vaga como o mar por uma onda, e seu tormento

Abate-se em abandono no homem de músculos rijos
Onde o lençol em ondas afaga em brisa seu ventre e o corso
Onde aquela amada ardeu seu ventre em tons lascivos

E sua voz só faz acalmar à distância o amado torso,
Soprando o vento às naus distantes em águas esquivas,
O pranto da amada, seu ventre o mar e o cais seu dorso.


(manuscrito, s/d)

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