quinta-feira, 4 de abril de 2013

A um poeta




  30/02/84


Poeta é o ritmo da harmonia universal
Entre os corpos celestes
Uma grande dose de sensibilidade
(Não sem uma crosta de proteção
Contra todas as armas mortíferas
Ou não)
Uma colher (seria de sopa?) de amor
Para adocicar
O sabor da vida
Um charme todo intelectual
(Ou em parte principal)
Algumas rimas bem lançadas
Como fragmentos frágeis
Descartáveis
Uma solução de continuidade
Vocabular
Uma pitada de frescura
Ou loucura
Do tipo plena, totalmente assumida
Consumida, retorcida,
Sofrido parir
De um poema.
Aberrações gramaticais
Vernáculos
E otras coistas mas
Muita coragem para ousar
Um desbum em verso
E algumas
Desmunhecadas poéticas.
Muito humor
Pois já se vai o tempo
Da poesia de cemitério
Sacra, tumular.
Chutar estilos a esmo
Como pelotas caricatas
E divertidas
(Quebre muitas janelas!)
Abra as bocas, provoque caretas
Nos hipócritas, sorrisos
Nos conservadores, interjeições
Nos românticos, suspiros
Nos sérios, risos
Nos risonhos, divagações
Mas PROVOQUE!
Desequilibrados equilíbrios
Silenciosas gritarias
Caladas discussões
Constipadas disenterias
Cisões e rupturas
Que o seu objetivo
Seja o de inovar as almas
Transmita inusitadas sensações
Caminhe pelos caminhos turbulentos
Atravesse os mares bravios
Enfrente os monstros perdidos
Do ser
E encontre o "quê"
De criança
Esperança
Que repousa em cada ser
Humano
Ou não.

Valeu?

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